A ideia surgiu

A bem da verdade a ideia de ir para Inglaterra nunca foi embora. Desde Julho de 2010. Desde a reprovação na primeira entrevista te todo o sempre. Numa altura em que eu não sabia bem o que queria (nem hoje sei!).
Lisboa surgiu naturalmente, uma vez que o Norte estava fora de questão. Dentro do mau panorama, Lisboa era o sítio que estava menos mal para mim. Com uns empurrõezinhos daqui e dali lá consegui uns trabalhinhos aqui e acolá.
Primeiro em hemodiálise, em Outubro de 2010, que durou até aos dias de hoje.
Em Janeiro de 2011 tive a entrevista que alimentou sonhos e que me manteve "presa" em Portugal até agora... Mais à frente já explico.
Em Março de 2011 iniciei duplo emprego num internamento de medicina/cirurgia. Ambos a recibos verdes, ambos precários. Desde essa altura até hoje sempre trabalhei cerca de 50/60h por semana, sempre em duplo. E livrem-se de pensar "Ah... Isso é que era ganhar dinheiro!!" - que isso é mentira!
Em Julho de 2011 surgiu a oportunidade de ingressar num hospital maior e mais conceituado. Um hospital de referência na rede privada. Área de cuidados paliativos. Larguei o internamento de medicina/cirurgia e comecei a paliar, apesar do medo e do desconforto na área. Sempre a recibos verdes e desta vez a meio horário. Sempre tive a sensação que tinha que cumprir todos os deveres mas os direitos eram escassos.
Assim me mantive até Janeiro de 2012, altura em que iniciei o meu primeiro contrato num hospital de uma PPP (Parceria Público-Privada) - a consequência da entrevista de Janeiro de 2011. Iniciei-me numa área que tão depressa me assustou como me apaixonou: Cuidados Intensivos. Apesar do meu ano e meio de trabalho fui considerada como Enfermeira Interna - segundo o "estatuto" daquele hospital, um enfermeiro interno é aquele que trabalha há menos de um ano. Sim. Há menos de um ano -.-' E este estatuto, pelo que eu sei, não foi ainda implementado pela Ordem dos Enfermeiros. Era, provavelmente um projecto piloto deste hospital - *Irony detected*. Auferindo um salário de 900€ (brutos) por mês, cumpria um horário de 40h semanais (tendo todos os meses horas positivas [quando fazia mais de 40h/semana] que entravam para o banco de horas - outra grande invenção!). Em Setembro de 2011 comecei a fartar-me (ainda mais) da minha situação. Trabalhava em duplo - cerca de 50/60h por semana, não tinha tempos livres, não consegui criar um grupo de amigos, durante muitas semanas a minha vida resumia-se a casa-trabalho-casa-trabalho. Associado a isto vem a frustração profissional. A falta de carreira, a disparidade de salários, a desigualdade de tratamento perante enfermeiros com os mesmos anos de trabalho, com diferentes experiências... Na nossa profissão tudo serve para determinar quando é que ganhamos ao fim do mês: cor dos olhos, cor do cabelo, simpatia, número do sapato.... and so on, and so on.... No final da lista vem (se chegar a vir) a competência profissional, a dedicação, a formação. Mais ainda para juntar ao saquinho dos ódios vem o mau ambiente que se começa a viver dentro da equipa, a sensação de desvalorização na equipa, de injustiça, a exploração soberba por parte do hospital, os erros que se iam cometendo por estarmos a ser levados ao limite, o facto de veres números em vez de pessoas... e, talvez a gota de água, a continuação do estatuto de Enfermeira Interna quando já trabalhava para a instituição há mais de um ano (há 2 anos e meio desde o primeiro emprego)... Todas estas coisas me faziam ficar com um nó no peito e os punhos cerrados. Então, apesar de estar a adorar a dinâmica da UCI, achei que estava na hora de procurar algo mais.
Um dia acordei determinada e decidi contactar a HCL International para pedir ajuda nesta nova aventura que estava determinada a começar.


To be continued...

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